quinta-feira, 29 de abril de 2010

El Acebo-Ponferrada

11/05/09

El Acebo ficava numa encosta...suas casinhas tinham escadas externas para subir ao segundo piso.

Pessoas do mundo inteiro passavam ali...como seria viver à beira do caminho e não percorrê-lo?


Muitas vezes fazemos isso...ficamos à margem...não mergulhamos...aprofundar-se às vezes pode doer...ali doía...muito.


Dia de muitas descidas...noite bem dormida...a calefação e o delicioso "desayuno" me revigoraram...pronta para seguir.  

Delicadeza e simplicidade silenciosas de moradores em Riego de Ambros...bancos e bênçãos à porta de suas casas...para quem deles precisasse.


Tive que passar abaixada...o túnel de galhos segurou a mochila...sozinha demorei para me desvencilhar...fiquei presa como num varal...só risada! 


Depois do enrosco...um número de circo...equilíbrio em troncos úmidos e escorregadios...prêmio...não cair na lama.


Era muito fresco ali...um convite irrecusável...perfeito...parei. 

Quantas confissões deveriam ter sido feitas sob essas árvores seculares...eram absurdamente acolhedoras...mágicas eu diria.


Mais e mais eu me conhecia...era o autoconhecimento se aprofundando...a coragem crescia.
Trilha estreita...atenção redobrada na encosta perigosa...a mochila puxava o corpo para a  esquerda...para baixo...desequilibrava.
 
 
Eu estreitava os laços com a vida...apreciava o que reencontrava.


Verde-amarelo na encosta...nossas cores...a saudade se instalava.


Bem lá embaixo a rodovia...fazia tempo que não sentava num carro.



Na comarca de El Bierzo...lá de longe  avistei Molinaseca...alguém voava para casa.


Rio Meruelo e sua ponte românica somente para pedestres...águas rasas e cristalinas...os olhos já marejavam...sem motivo.

 

Muito devagar cruzei a Calle Mayor...silenciosa...deserta...colorida.


O peregrino me deu forças com seu olhar humilde e seguro...avante!


Casa moderna...garagem abrindo...gentis me deixaram passar..."Buen Camino!".


Nos quadriculados do jogo de xadrez da natureza...um xeque-mate na sensibilidade.


Escudos e brasões nas paredes e portas...charme extra ao caminho.


Céu carregado...sol...muitas nuvens...já conhecia aqueles sinais...chuva.


Esculturas pontilhavam a cidade...o músico e seus alunos conversavam na Calle Jardines de Ponferrada.


Fila no Albergue Paroquial...portas fechadas...voluntários despreendidos...alegres...cuidavam de bolhas e tendinites. 


Um burro peregrino no jardim...dormiria fora...seu dono antes de descansar cuidou dele com muito carinho.


A cruz de flores no jardim da fortaleza do século XII marcava um local histórico...a sede dos Cavaleiros da Ordem do Templo.


Imponente...fechado para visitas...pena...ponto negativo.


Circundei-o...de olhos fechados imaginava cavaleiros com manto branco adornado pela cruz vermelha...atravessavam a ponte...a galope...partiam. 


Os Templários surgiram na época das Cruzadas...1096...protegiam peregrinos que iam para Jerusalém...muçulmanos a ocuparam por muitos anos...cristãos não eram bem vindos.


Napoleão também passou por Ponferrada...destruíram o castelo parcialmente em 1808...não queriam que  ele o ocupasse.


Passei pela Torre del Reloj...último resquício das muralhas medievais dos portões da cidade.



Estava cansadíssima...a tosse permanecia...queria mesmo assim ver tudo...a Plaza del Ayuntamento era simétrica e bela.


Cozinhei tortellini de espinafre com ricota...juntei queijo grana padano...jantei muito...a cozinha cheirava a tempero e gente...poucos tomaram banho...não havia água quente.


Um cesto de roupas...chapéus...luvas...peso em excesso deixado por viajantes no albergue...fez a alegria de outros...brechó em Ponferrada. 

Outra escultura...das "Pimenteiras"...colhedoras de pimenta. 


Nesse marco...202,5 quilômetros...tive a certeza que chegaria...até então era só uma tentativa...Santiago me veria em alguns dias!



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